Dia da mulher, nossa primeira professora

Oito de março além de ser o dia internacional da mulher, é uma data que não passa despercebida em meu calendário por dois motivos especiais:

O primeiro é que no dia 8 de março de 1997 eu ministrei o meu primeiro curso de memorização na cidade de Tupã. Me lembro como se fosse hoje dos seis alunos espremidos numa sala de aula de 9 metros quadrados. Hoje, passados 21 anos, são mais de 3 milhões de pessoas impactadas em mais de 100 países.

A mulher em minha vida

O segundo motivo para eu comemorar esta data é ainda mais especial, porque diz respeito ao dia das mulheres. Nesses anos de caminhada muitas mulheres passaram por meu caminho e contribuíram para minha evolução.

Quero fazer uma sincera homenagem a minha mãe, a mãe da minha mãe, a minha mulher, minha sogra, minha irmã, minhas professoras e a tantas mulheres que fizeram parte da minha vida – inclusive você querida leitora – que seria impossível nominar aqui a todas.

Dia desses, lendo um texto sobre o direito das minorias e observando o lado de cada parte, me comovi com a argumentação de uma mulher que calou a todos, argumentando simplesmente que para uma MULHER – dependendo de onde ELA nasce – um destino inteiro de preconceito e discriminação, às vezes, até de condenação social está traçado.

Como admirador das letras e das palavras e cientes de seu poder, fui surpreendido com a força daquela oratória e a profundidade de suas verdades. Quantas MULHERES, de fato, nascem indesejadas em seus países, somente porque se espera da mão-de-obra de um filho homem mais força na lavoura; quantas são subjugadas como seres humanos inferiores pela condição de nascerem MULHERES em suas terras natais, quem sabe pela religião ou a situação política do país?

Se eu já admirava as MULHERES, naquele momento passei a endeusá-las, pois, como podem diante de tanta truculência antes mesmo de nascer, submergirem à vida e florescer em amor e se apaixonar pelo homem, pela vida.  São seres diferentes. Nunca duvidei, mas hoje tenho a certeza.

E nossas inesquecíveis professoras?

Você já parou para pensar que você deve quase tudo a sua mãe-professora?

Vocês MULHERES têm nos ensinado tanta coisa por amor que arrisco a dizer que este mundo só não acabou porque vocês são o ponto de equilíbrio da maioria masculina que – digamos assim – pensa estar completamente no comando.

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O próprio DIA DA MULHER tem sua essência nesta resistência, em fazer nós homens repensar, encontrar alternativas nem sempre vitoriosas, mas que ganha tempo, faz respirar e por vezes evita tragédias.

O 8 de março começou a ganhar força no início do século passado, mais precisamente em 1917, quando trabalhadoras russas saíram às ruas em protesto por melhores condições de trabalho e contra o ingresso da Rússia na Primeira Guerra Mundial.

A partir deste instante, a data passou a ser constantemente escolhida para a realização de inúmeros protestos mundo afora, sempre em busca de igualdade de gênero, trabalho e direitos.

Somente em 1975, no entanto, a ONU – Organização das Nações Unidas – oficializou o dia 8 de março como Dia Internacional da Mulher.

É um momento especial, de reflexão, não só para nós, mas sim para – e principalmente – todas as MULHERES. Afinal, diversas lutas que vocês empreenderam, derrubaram barreiras que, por séculos, se mantinham intransponíveis.

Você mulher, que hoje pode ir até uma seção eleitoral e escolher os futuros governantes, que têm acesso e direito de disputar um cargo político, dirigir, ser dona do seu corpo, da sua forma de vestir e pensar, não imagina o tamanho das batalhas travadas anteriormente para que esse status pudesse aparecer.

Em alguns lugares ela está apenas começando. Na Arábia Saudita, por exemplo, somente este ano as mulheres foram liberadas para ir aos estádios de futebol!

Cada conquista conta e hoje, cada vez mais, todas vocês possuem fãs de carteirinha como eu e este respeito, esta admiração, facilita muito a batalha por estas conquistas gigantescas e que legitima ainda mais o papel essencial que as mulheres têm no mundo.  Juntos – como Deus quis – creio que tudo se torna mais fácil.

São inúmeras as que se destacam universalmente. Muitas delas são exemplos de superação, educação, ciência, comportamento, sabedoria e conhecimento em todas as áreas em paridade e muitas vezes superando os resultados dos homens.

Como sou um apaixonado pela literatura, um simples homem, mas convicto que somente a EDUCAÇÃO tem o mesmo poder da MULHER de mudar o mundo, farei uma singela homenagem citando aqui algumas heroínas da cultura brasileira que jamais devemos esquecer.

São mentes que criaram histórias surpreendentes, mudaram a literatura de patamar e com suas palavras levaram mais informações, emoções, despertaram desejos e sentimentos em todos os homens e MULHERES que tiveram o prazer de conhecer suas obras. Mulheres que traduziram não só em olhares, gestos e afagos os seus ensinamentos. Conseguiram eternizar no papel a tradução do que é ser Mulher, professora e obra perfeita do Criador.

Obrigado!

Rachel de Queiroz

Primeira mulher a ingressar no seleto grupo da Academia Brasileira de Letras, em 1977. Aos 20 anos publicava seu primeiro romance – O Quinze – e desde então produziu verdadeiras obras primas da literatura brasileira. A mais recente: Memorial de Maria Moura.

Seus livros traziam a essência da luta do povo nordestino – Rachel era cearense – baseados em um tom dramático. Um trabalho revolucionário que certamente deu voz à literatura regional no país.

Cecília Meireles

Apaixonada pela arte de lecionar e escrever. Aos 16 anos formou-se professora e recebeu medalha de louvor e reconhecimento das mãos de Olavo Bilac. Passou a exercer a profissão pelas escolas do Rio de Janeiro.

Com apenas 18 anos publicou seu primeiro livro de poesias – Espectros – e então não parou mais. Além de professora e escritora, Cecília também exercia a função de jornalista, escrevendo diversos textos relatando os problemas da área educacional em sua época.

Suas obras e textos deram origem à primeira Biblioteca Infantil do Brasil, que infelizmente funcionou por apenas três anos na cidade do Rio de Janeiro.

A essência de seu trabalho traz muita musicalidade, folclore e romantismo. Foram mais de 50 títulos publicados em 43 anos de carreira. Destaque para: “Nunca mais… e Poema dos Poemas”, “Romanceiro da Inconfidência”, “Janela Mágica”, “Ou Isto ou Aquilo”;

Clarice Lispector

Ucraniana naturalizada brasileira, chegou a Maceió com apenas 2 meses de idade. A paixão pela escrita se via nos feitos como redatora e jornalista na Agência Nacional e no jornal ‘A Noite’.

O primeiro trabalho foi “Perto do Coração Selvagem” que lhe rendeu o Prêmio Graça Aranha, entregue pela Academia Brasileira de Letras. E então não parou mais de escrever.

Emília Ferreiro

Uma mulher revolucionária. Seu trabalho influenciou a educação brasileira nos últimos 30 anos. Emília é ligada ao construtivismo, seguindo a linha de estudos idealizada pelo biólogo francês Jean Piaget, que trata especificamente dos processos de absorção de conhecimento por parte das crianças, isto é, de que modo os jovens aprendizes concebem o processo de aprendizagem.

Seus esforços também abordam de maneira aprofundada o papel crucial das capacidades cognitivas relacionadas à escrita e também à leitura. Neste sentido, Emília demonstrou resultados positivos quando explica que a criança mostra evolução na retenção de ensinamentos de forma gradativa, dando ênfase ao que ela chama de ‘esquemas internos’, que levam um tempo, pois o aluno não se restringe a apenas reproduzir o que ouve, mas busca a interpretação;

Maria Montessori

Mais uma pioneira. Foi a primeira mulher a se formar em Medicina na Itália e suas atividades são contempladas até os dias de hoje em escolas públicas e privadas do mundo todo.

Sua oposição aos métodos tradicionais de ensino se dá pela ideia de que os próprios aprendizes são capazes de conduzir o ensino, deixando para os educadores apenas o papel de orientadores.

Olha a visão! Desta forma, a função da educação em si é o de guiar os impulsos internos que vêm do intelecto de cada pessoa. Para Montessori, o ensino tradicionalista não respeita os processos evolutivos dos pequenos. Ela ainda defende uma ‘Educação para a vida’, etapas que colaboram na formação integral do caráter e personalidade de cada indivíduo;

Êda Luiz

Uma discípula de Paulo Freire. Coordenadora Pedagógica do Cieja – Centro de Integração de Jovens e Adultos – na zona sul de São Paulo, Êda defende um modelo democrático de ensino. O local vai além das disciplinas curriculares e se tornou um espaço aberto, sem impedimentos, livre para o convívio mútuo com respeito dentro da comunidade.

Suas inspirações também vêm de seus anos como professora em uma escola rural e nas salas de aula da extinta Fundação Estadual do Bem Estar do Menor – Febem – hoje Fundação Casa.

Estes são apenas alguns exemplos que pontuei de MULHERES que inauguraram novos tempos não só para o futuro da literatura, da cultura, da educação bem como de gerações inteiras de meninas que a partir daí tinham em quem se inspirar e não pararam mais de querer ser também escritoras, professoras ou simplesmente  GRANDES MULHERES.

Nós Homens (com H maiúsculo são homens e mulheres), não podemos deixar morrer este legado e a inspiração que vem de suas memórias e histórias de vida enriquecem, e ainda podem mudar o mindset de muitas crianças e jovens, independente de sexo.

No coração e na obra das MULHERES há espaço para todos. Nunca foi segredo para ninguém.

O trabalho que desenvolvo há mais de 20 anos é o que me faz estar aqui neste momento escrevendo e mostrando a você as realizações de mulheres incríveis – através desta singela lembrança – pois, de fato, as mesmas marcaram seus nomes na jornada da educação social por onde passaram. Inclusive na minha vida.

Muito precioso e gratificante citar esses nomes.

Não é apenas um dia especial.

É um momento histórico que deveria se repetir todos os dias e por isso vou lhe dar minha costumeira dica de memorização: não vai esquecer de comprar e dar uma rosa para cada MULHER da sua vida hoje, hein?

E lembre-se que hoje, também, acabamos de mudar a regra do português. A partir de agora, MULHER só se escreve assim, com todas as letras em maiúsculo, para a gente jamais esquecer a grandeza das nossas eternas professoras.

Viva bem. Lembre bem!

4 Comentários


  1. Quantas recordações. Quantas mestras. Quantas horas de estudos. Tudo que aprendi pra vida começou aí nesta Escola com E maiúsculo. Aprendi para a vida. Obrigado as mulheres nossas primeiras educadoras. Obrigado!

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  2. A cada dia q passa tô mais interessado…qual será o curso q melhor se encaixa no meu perfil?

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    1. Olá, Eurípedes. Obrigado, quanto aos cursos eu tenho alguns cursos, você precisaria ver qual é o mais indicado para a sua necessidade. Deixei abaixo o link para uma página com informações sobre os cursos. e também pedi para um colaborador lhe enviar um e-mail com informações.
      Abraço

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